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GERMANO MATHIAS E O SAMBA DA PAULICÉIA

Onde tem Brasil tem samba. E hoje nós vamos descer no Terminal Tietê e pegar o metrô para Pirituba, periferia de São Paulo, onde o samba sincopado está bem guardado com Germano Mathias.

Hoje, com 84 anos recém completados (nasceu em 2 de junho de 1934), este filho de portugueses começou cantando fado em casa, mas aprendeu a batucar na latinha de graxa e a sambar com os engraxates da Praça da Sé. O seu canto sincopado lembra o saudoso cantor Caco Velho, de quem Germano é um grande admirador. Germano Mathias traz viva a escola do samba paulista urbano, da malandragem, do fraseado cheio de cadência, a picardia de malandros da antiga que, assim como o velho batuqueiro, andam sumidos da praça.

Nos anos de 1950 e 1960, ele fez um grande sucesso. O malandro era um artista completo e brilhava no cinema tupininquim dançando, interpretando e cantando com maestria. Esta grande performance pode ser conferida aqui, neste trecho do filme Quem roubou meu samba, de 1959, dos diretores José Carlos Burle e Hélio Barroso: 


 

Nos anos seguintes, em 1960 e 1961, o sambista faria muitas aparições como ator em comerciais publicitários e em programas de televisão. Em 1962, ele registrou suas primeiras composições, pela Odeon, no disco Ginga do Asfalto. Neste disco de cantor e compositor, por causa da política de direitos autorais da época, ele não conseguiu colocar seu nome nas músicas que fez em parceria com Jorge Costa, colocando então pseudônimos como Durum Dum Dum e até o nome de sua mulher à época.

Em 1967, ao receber um diploma de bacharel do samba pela escola paulista X-9, o jornalista Randal Juliano se antecipa e sugere uma mudança de título, em reconhecimento à sua grande importância entre os sambistas, e que Germano levaria sempre adiante. Deixava então de ser bacharel e, por sugestão de Randal, passou a ser chamado de o “Catedrático do Samba”. Com esta alcunha ele gravou discos e passou a se apresentar. 

O sambista seguiu pelos anos seguintes gravando discos pela Odeon, CID, Chantecler, mas com vendas menores, e a cada novo lançamento vendo seu sucesso diminuir, até que em 1978, Gilberto Gil, grande admirador da obra de Germano Mathias, o convidou para gravar juntos o clássico álbum Antologia do Samba-Choro. O trabalho teve o texto de apresentação de Gil e colocou Germano como um cantor moderno, cheio de síncope e originalidade. O disco virou um sucesso, o que fez com que alguns compactos anteriores de Germano fossem relançados, como Gafieira paulista e Catedrático do Samba. No final da década de 1990, gravou também com Oswaldinho da Cuíca e Tobias da Vai-Vai o brilhante Histórias do samba paulista 1, pela CPC/UMES.


 

De lá pra cá, Germano procurou se segurar. Segura firme com o samba e continua fazendo o que sabe de melhor. Sempre tentando aproveitar a maré, gravou disco comemorativo em ano de Copa do Mundo, gravou disco de forró em época de São João e até atuou na minissérie Os experientes (2015), da Globo, ao lado do saudoso Wilson das Neves. Recentemente, talvez inspirado pela guinada bem sucedida de Roberto Silva ao gravar, já velho e em ostracismo, um samba para o Notícias Populares que o recolocou no mercado (Sangue, sangue sangue…”), Germano planejava mostrar para Marcelo Rezende e Datena um samba que ficaria muito bem no programa policial que o jornalista apresentava em 2016 e, quem sabe assim, voltaria para o mercado fonográfico.

Marcelo Rezende morreu naquele ano e pelo visto Datena não quis comprar a ideia porque, de lá pra cá, muito pouco ou quase nada se ouve falar de Germano Mathias. Agora, chegando aos 84 anos e como uma espécie rara, da fina flor dos mestres do sincopado, Germano dificilmente é encontrado. E como um bicho assustado, ele só aparece em locais onde pouca gente o vê, seja na banca de jornais em Pirituba, onde compra palavras cruzadas, no palco do Sr. Brasil ou aqui nesta coluna.

 

 

 

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Alexandre Rezende

Fotógrafo, Cantor e Compositor

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