COVID LEVA WALTINHO SETE CORDAS

COVID LEVA WALTINHO SETE CORDAS Almanaque do Samba/Reprodução

Instrumentista foi pioneiro no movimento de samba e choro de BH

O samba perdeu nesta sexta-feira (2) um dos seus maiores representantes: Walter Gonçalves Ferreira, o querido Waltinho Sete Cordas. Nascido em Belo Horizonte, o instrumentista havia completado 86 anos no último dia 7 de março. Ele, que já tinha histórico de problemas cardíacos, contraiu o coronavírus e estava internado em hospital da capital mineira. Na noite de quinta-feira o estado de saúde já era bastante grave, o quadro não evoluiu e Waltinho teve uma parada cardíaca.

“Waltinho Sete Cordas deixa um imenso legado para o samba de Belo Horizonte e Minas Gerais”, lamentou o cantor, compositor e cavaquinhista Fernando Bento, ao comentar a passagem do amigo e tio querido.

Há dois anos, Bento fez uma homenagem a Waltinho Sete Cordas na primeira edição do projeto “Circuito de Samba Amazonas”, realizado no quarteirão da avenida Amazonas, entre ruas da Bahia e Espírito Santo.

"São sambistas valiosos para a nossa cultura pelo talento, pela história de vida de cada um deles e ainda continuam fazendo coisas no samba. Temos que homenagear as pessoas em vida!", disse na época Fernando Bento.

Pioneiro

Waltinho Sete Cordas nasceu e foi criado no “Buraco Quente”, na Pedreira Prado Lopes, região da Lagoinha, berço do samba de Belo Horizonte. “Ele começou o movimento de samba de Belo Horizonte, ao lado de Mestre Conga, Kalu, Lagoinha, Vitório de Jesus, entre outros”, ressalta Bento. “Meu tio também foi contemporâneo de Seu Mozart, Mestre Affonso, Hélio Pereira, Cícero do Acordeon, Zito, atuando também nos regionais de choro”, completa.

Waltinho, que acompanhou grandes nomes da MPB, como Bezerra da Silva, Elza Soares, entre vários, também é uma referência para as novas gerações.

“Conheci o Waltinho Sete ainda menino, quando ia tocar na Praça Raul Soares. Ele aparecia lá, tocava cavaquinho e violão. Depois tocamos muitos anos juntos. Era muita história, complicado até falar nesse momento”, disse o cavaquinhista Rudney Carvalho, um dos admiradores do violonista.

Ano passado, ao participar da websérie Sambista da Vez, projeto do Almanaque do Samba,  Fran Januário e Vivi Amaral ressaltaram a importância de Waltinho Sete Cordas para a carreira da dupla do projeto Samba Origem. “Começamos a ensaiar na casa do seu Waltinho Sete Cordas, uma pessoa que nos deu muito apoio”, disse Vivi Amaral, durante entrevista ao programa.

Seu Waltinho ajudava as moças a pegar a tonalidade das músicas. “Foi uma experiência muito especial. Ele foi um ensinamento pra vida, algo que temos como referência de vida”, completou Fran Januário.

“Waltinho era um cara fantástico”, também lamentou o compositor Cabral. Já Dóris, ao lhe dedicar uma oração, comentou nas redes sociais: "Hoje Sr. Waltinho fez a sua passagem. Músico dedicado e um dos integrantes do programa Cantando e Contando a História do Samba no início de suas atividades".

Seu Waltinho Sete Cordas deixa a esposa Elvira (Pretinha), vários filhos, netos e bisnetos. Descanse em paz, Mestre!

 

Visto 227 vezes Última modificação em Sexta, 02 Abril 2021 13:00
Redação

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