BATE MACUMBA

Salve, povo do samba! É com grande alegria que estreio minha coluna no Almanaque do Samba, aqui no site e também pela FM. Bate macumba, olelê! Nesta coluna vou falar de samba e tudo que gira em torno de sua ancestralidade. Podem ficar tranquilos os mais desavisados, prometo não arriar trabalho pro santo neste local, muito menos fazer pregação religiosa, pelo contrário, vou tratar de forma afirmativa e respeitosa tudo que envolve nossas matrizes africanas.

Não será uma coluna exclusiva de afro-sambas, na próxima vou discutir esse conceito, mas de todos os estilos de sambas que abordam nossa afro-brasilidade de maneira mais intensa.

Depois dessa apresentação peço licença (Agô!) para trazer o disco Wilson Moreira + Baticum, lançado pela Rob Digital em 2011. Wilson Moreira já é figura cultuada no mundo do samba e dispensa qualquer comentário, sua extensa obra fala por si. Melodista raro e original que, segundo Nei Lopes, seu parceiro mais constante, consegue pôr musica até em bula de remédio. Neste trabalho Wilson apresenta, além do samba puro, outros gêneros da tradição musical afro-brasileira como o lundu, jongo, calango, forró, curimba e toques sagrados do candomblé. Esse lado menos conhecido do compositor se une ao Grupo Baticum, quarteto formado pelos percussionistas Beto Cazes, Jovi Joviniano, Carlos Negreiros e Marcos Suzano – só cobra!

Os arranjos de percussão são do Baticum e os de harmonia são do cavaquinista Henrique Cazes, que também toca no disco ao lado de Paulão 7 Cordas entre outros músicos não menos competentes. Ao longo das faixas percebemos a intenção de valorizar a voz do Wilson juntamente com o som da percussão, que vai na frente, com mais brilho, se destacando em relação aos outros instrumentos de harmonia. O que dá ao disco um sabor especial. O repertório é todo de composições do Wilson Moreira, com exceção de duas faixas em percerias com Nei Lopes e Paulo César Pinheiro.

 

 

As temáticas abordadas são muitas, passeiam pela questão da identidade negra, elogia uma ambulante que vende bananas, narra uma festa de interior, uma mandinga de amor desfeita e um entardecer poético na roça. A ultima canção é uma rara parceria entre Wison e Paulinho Pinheiro, “Terreiro Grande”. A história se passa numa fazenda antiga que abrigou a escravidão e é contada a partir das lembranças da uma ex-sinhá. Lembranças que ela tenta varrer a todo custo, mas não consegue, evidenciando sua vergonha e preconceito. 

Esse samba é uma verdadeira obra-prima, atemporal, portanto. Segue o link para degustação, espero que goste.

Um forte abraço e saravá! 

 

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Bobô

Bobô da Cuíca é compositor, ritmista e historiador. Lançou em 2017 seu primeiro livro de contos, “O animal derrengado”.

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