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TONINHO GERAES

Abr 17 2018 / 1 Comentário /

14/3/1962 – Belo Horizonte

 

 


Batizado há 56 anos como Antônio Eustáquio Trindade Ribeiro, por devoção da mãe a Santo Antônio e Padre Eustáquio, Toninho Geraes conta com proteção divina. Da trajetória de vendedor de loteria no baixo meretrício de Belo Horizonte, antes de se aventurar nas ruas do Rio de Janeiro, onde chegou a morar em uma casa abandonada de Ipanema, até a consolidação da carreira de compositor de sucessos como Mulheres (Martinho da Vila) e Seu balancê (Zeca Pagodinho), ele teve que, como se diz, “quebrar muita pedra”.

“Imagine um branco com sotaque mineiro altamente carregado, se metendo com o samba no Rio de Janeiro. Os caras não vão botar fé, né? Mas aos poucos as pessoas foram vendo que eu tinha garrafa para vender”, reconhece, abusando dos jargões próprios dos sambistas cariocas.

Contemporâneo da ala mais representativa do samba da capital mineira da atualidade, que tem na linha de frente Serginho Beagá, Fabinho do Terreiro e Barrão, Toninho Geraes optou há 31 anos pela carreira artística na cidade maravilhosa, na qual já contabiliza mais de 200 composições, muitas registradas por grandes nomes da MPB.

Partido remendado (O rato roeu) foi a canção que, ao lado de Obrigado por nascer, marcou a estreia do artista em estúdio, quando gravou em 1986, pela EMI/Odeon, o LP coletivo Na aba do pagode.

“No samba, este disco é chamado de pau de sebo, porque é um teste da gravadora para saber quais artistas poderão ganhar seus próprios álbuns”, explica. O bom resultado lhe rendeu ainda um disco de ouro, pela venda de mais de 150 mil cópias.

O divisor de águas, reconhece, é Mulheres, incluída no disco Tá delícia, tá gostoso, de Martinho da Vila, em 1995. O CD vendeu mais de 1 milhão e meio de cópias e há 10 anos era responsável por 70% dos recursos que recebe de direito autoral.

Como mais um exemplo de sorte e predestinação, ele conta que se aproximou de Martinho da Vila no momento em que o artista queria gravar sambas de outros compositores, uma coisa rara na carreira do poeta de Vila Isabel. “O Rildo Hora, produtor do disco, me pediu que mandasse sambas de roda e partido-alto. Por insistência, a última faixa das três músicas era Mulheres, que acabou mudando totalmente o conceito do disco”, conta.

“Toninho Geraes é um compositor excepcional”, atesta o próprio Martinho da Vila, que se viu intimado desde então a incluir o clássico em seus shows. “Com ela ocorre o que geralmente acontecia comigo. Porque, muitas vezes, um artista grava minha música e o público pensa que é de autoria dele”, conta.




Quando menino, Toninho ajudava os pais, José da Anunciação Ribeiro e Maria Trindade, no sustento da casa, no Bairro Santa Mônica, região Norte de BH, vendendo loteria na Paquequer, zona boêmia da capital, ou legumes e verduras tiradas da própria horta. “Costumo brincar que fui até coveiro: minha mãe plantava couve e eu vendia”, conta. Anteriormente, chegou a morar no Bairro Progresso, justamente na Rua Carioca.

Ele recorda que, certa vez, às vésperas do Dia das Mães, a Escola Estadual Batista Santiago, no Santa Mônica, fez uma espécie de gincana para angariar fundos: quem vendesse mais votos ganharia o prêmio “Mãe do ano”. 



Toninho, então na quarta série, viu aí a chance de se redimir, já que dona Maria Trindade só era chamada na escola para ouvir reclamações sobre o filho. “Tinha uma clientela de loteria. Para quem não queria comprar o bilhete, pedia para comprar os votos. Aí, ganhei a gincana. Minha mãe foi chamada e ganhou flores”, relembra, bastante emocionado. “Foi uma vida de muita luta”, completa a mãe, que comprou, em 12 prestações, o primeiro violão para o filho artista, em uma loja de artigos musicais na Rua Olegário Maciel, região central da cidade.

Como já trocava as aulas de matemática pelas rodas de samba, animadas pelo grupo Tonico e seus Chicletes, passou assim a conhecer o seu primeiro grande incentivador: o sambista Geraldo Orozimbo, contemporâneo dos bambas Jadir Ambrósio, Mestre Conga e Gervásio Horta. Depois, ao entrar para a Escola de Samba Cidade Jardim, começou a se aventurar na ala de composição.

Com Serginho Beagá, compôs vários sambas que se tornariam os primeiros sucessos, como Me leva, gravada por Agepê. Nas idas e vindas, se apresentava no Curral do Samba, com o Grupo Raízes, liderado pelo sambista Nonato. 

No Rio, Beto Sem Braço e Ivan Marujo tiveram papel importante na carreira do mineiro. O primeiro o levou para o Cacique de Ramos, onde conheceu Zeca Pagodinho, que só o chamava de “Gerais”– fato que originou o nome artístico que já foi grafado como “Tuninho Gerais”, “Toninho Gerais”, apesar de ser Toninho Geraes. Já Ivan Marujo, conforme diz o próprio mineiro, o ensinou a dar o primeiro “pulo do gato”, em matéria de composição. “Um grande mestre”, reverencia.

 

 

  

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